Há dias em que me sinto uma planta num canto esquecido de uma sala escura, sobrevivendo com a luz filtrada dos restos de sol que escapa pelas frestas. A rotina me sufoca em camadas invisíveis que, pouco a pouco, vão pesando nos ombros como uma velha capa de chumbo. Cada dia é uma repetição insossa do anterior, um ciclo de esforços que nunca parecem me levar a nenhum lugar que não a um cansaço maior. Sonhos de outrora agora pairam como fantasmas, lembranças de desejos há muito abandonados. Entre as tarefas e as expectativas dos outros, perdeu-se a pessoa que eu acreditava que poderia ser. A solidão se instala nas brechas, não por falta de companhia, mas pela falta de conexão verdadeira, de sentir que alguém poderia, honestamente, entender o que é estar aqui, onde estou. Me isolo não por opção, mas por esse medo cruel de me apegar a algo ou alguém e, de novo, sentir o vazio de ser deixado para trás, uma peça que não se encaixa. A mente, antes ágil, agora se arrasta como um velho animal cansado, esgotada por demandas que excedem qualquer reserva de energia que um dia achei ter. Pensamentos se debatem dentro de mim sem força suficiente para se tornarem atos. Às vezes, imagino como seria apenas largar tudo, se isso me traria a paz que tanto procuro. Ainda assim, sigo em frente, mesmo que em passos lentos e incertos, buscando uma luz que talvez jamais encontre.
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