Há um peso constante em carregar a sensação de estar sempre em algum tipo de limbo, entre o ser e o não ser, entre o existir plenamente e o mero sobreviver. É como se as páginas da minha vida estivessem presas, recusando-se a virar. Sinto que já acertei e errei tanto, mas ainda estou sentado à margem, esperando algo que nunca chega. Há um sentimento avassalador de vergonha, um tipo que te agarra, que entorpece as ações e as palavras. Seria essa vergonha do que sou ou do que não consegui ser? Sou um receptáculo de conhecimento, mas isso me leva aonde? Conhecimento sem direção é uma vela sem vento, uma embarcação à deriva em um mar de incertezas. Às vezes me pergunto se estou à procura de algo que jamais existirá. Será que a plenitude é um mito? Ou apenas estou olhando para o lado errado, cercado por uma névoa densa de expectativas insatisfeitas? Será que algum dia viverei de verdade ou esse estado de pausa forçada será meu único destino? Escrever estas palavras oferece um breve alívio, como um suspiro em meio à tempestade. Talvez não saiba para onde vou, mas ao menos, aqui, tenho um espaço para existir, mesmo que por um momento.