Um grito sufocado dança na garganta. São dias que se estendem como sombras, encurtando esperanças e alongando a solidão. Caminho por entre memórias que já se desgastaram, moldadas em uma fúria silenciosa contra o tempo e o destino que me iludiu. É como andar por uma casa de espelhos, cada reflexo uma versão de quem eu poderia ter sido. Possibilidades não vividas, sonhos diluídos em café frio de manhãs tardias. Tento segurar algo, mas parece que a vida escorre por entre meus dedos, insensível aos meus anseios. O silêncio pesa, como se as paredes sussurrassem segredos sobre um futuro que não me pertence. O conhecimento, esse traidor, me aprisiona em um ciclo de "e se's". E se tivesse feito diferente? E se tivesse arriscado mais? As respostas, se existem, brincam de esconde-esconde. É cômico, talvez até trágico, essa dança sem música, esse viver sem rire. A cada batida do coração, esse relógio interno, grita liberdade e revolta, mas estou encurralado por minhas próprias dúvidas. Quero gritar para os céus, chorar na chuva, sentir algo além desse vazio. Mas sigo, meio vivo, quase sonâmbulo, à espera de um despertar que não chega. Um suspiro e, por um momento, permito-me sonhar. Talvez, um dia, tudo faça sentido. Talvez.