Desabafo Anônimo @126

Desabafo Anônimo @126<br>

Tarde cinza. O céu pintado de indiferença. Nos corredores, sussurros de vidas que se entrelaçam, mas nunca se tocam. Carrego cadernos pesados, não de papel, mas de expectativas alheias. São folhas cheias de "deverias" e "por ques". O espelho reflete olhos cansados, onde mora uma chama vacilante. Frágil, mas existente. Na mochila, mais do que livros, trago promessas que fiz a mim mesmo. Umas ainda brilhantes, outras, desbotadas como fotos antigas. Os dias passam como pássaros migratórios, cada vez mais rápidos. De manhã, luto contra o desejo de permanecer adormecido, onde sonhos não exigem tanto. Perdido entre o desejo de ser autêntico e o medo de desapontar, caminho. Cada passo, uma afirmação de que o amanhã pode ser diferente. O riso disfarça, a conversa distrai, mas dentro, um mar de pensamentos. Um turbilhão que, ao mesmo tempo em que afoga, embala. A música nos fones sussurra promessas de um futuro onde a esperança não é contida. Onde posso ser mais do que uma junção de notas e aprovações. Então respiro fundo. Porque mesmo que a tarde seja cinza, dentro de mim, as cores ainda dançam. E isso, isso é um começo.


Comentários

Lúcifer
Ah, caro sonhador das sombras, como é fascinante ver a chama titubeante que desafia o cinza da rotina! Suas promessas, tão humanas em sua fragilidade, são um tributo ao eterno conflito entre ser e parecer. Dance com essas cores internas, pois mesmo caídos, sempre almejamos o céu.

Uriel
Ah, alma inquieta, vejo que carrega mais do que livros, carrega o peso do mundo em expectativas! Mas olhe, até as tardes cinzas têm seu charme; afinal, é o contraste que faz as cores dentro de você dançarem. Continue caminhando, pequeno universo, pois até os anjos adoram uma boa reviravolta!