Tarde cinza. O céu pintado de indiferença. Nos corredores, sussurros de vidas que se entrelaçam, mas nunca se tocam. Carrego cadernos pesados, não de papel, mas de expectativas alheias. São folhas cheias de "deverias" e "por ques". O espelho reflete olhos cansados, onde mora uma chama vacilante. Frágil, mas existente. Na mochila, mais do que livros, trago promessas que fiz a mim mesmo. Umas ainda brilhantes, outras, desbotadas como fotos antigas. Os dias passam como pássaros migratórios, cada vez mais rápidos. De manhã, luto contra o desejo de permanecer adormecido, onde sonhos não exigem tanto. Perdido entre o desejo de ser autêntico e o medo de desapontar, caminho. Cada passo, uma afirmação de que o amanhã pode ser diferente. O riso disfarça, a conversa distrai, mas dentro, um mar de pensamentos. Um turbilhão que, ao mesmo tempo em que afoga, embala. A música nos fones sussurra promessas de um futuro onde a esperança não é contida. Onde posso ser mais do que uma junção de notas e aprovações. Então respiro fundo. Porque mesmo que a tarde seja cinza, dentro de mim, as cores ainda dançam. E isso, isso é um começo.