Sabe aquele buraco negro que só engole tudo, sem nunca se saciar? É assim que tá aqui dentro. Não importa o quanto eu busque, o quanto eu me esforce, sempre parece que falta algo. Tomo coragem, saio da cama, olho no espelho e escuto aquela voz cínica: "E aí, qual é a desculpa de hoje?" Me sinto uma peça quebrada tentando se encaixar num jogo que nem sei por que estou jogando. Acordo e vou dormir com um único pensamento: por que diabos ainda tô correndo atrás de algo que nunca alcanço? Os dias escorrem como areia entre os dedos. Cada tentativa é uma batalha contra essa sombra interna, essa ânsia de me sabotar, de me ver afundar. E aí vem a culpa, como um parasita, sussurrando que talvez eu não mereça mesmo nada diferente. A solidão aqui é como uma velha conhecida, companheira fiel, sempre presente. Chega ao ponto que até o barulho do silêncio parece gritar. E eu me pergunto, será que algum dia vou me livrar desse ciclo? Ou vou continuar tropeçando nos escombros de uma vida que nem sei se é minha? Às vezes, há um lampejo de esperança, mas é só um fósforo numa sala escura. E a escuridão? Ah, a escuridão sempre retorna, implacável, impiedosa, me lembrando que o vazio é a única coisa que nunca me deixa.