Às vezes, me pego rindo da ironia que é minha vida, como se tivesse sido escrita por um roteirista mal pago de sitcom. Sabe aqueles episódios repetitivos onde o protagonista sempre volta para o mesmo ponto de partida? Bem, seja bem-vindo ao meu show existencial. Acordo todos os dias para um trabalho que insiste em me lembrar como a vida é generosa em sua capacidade de ser medíocre. A vida adulta prometeu tanto, e, em troca, ofereceu pilhas de contas e expectativas que não pedi para carregar. No intervalo entre pagar boletos e sonhar com um futuro menos... desbotado, aprendi a disfarçar meus sentimentos com sorrisos polidos e respostas automáticas. É um talento quase artístico, como uma peça de teatro onde ninguém pede bis, mas a performance continua. A ironia, contudo, é que aprendi mais lições no eco silencioso do desapontamento do que em qualquer sala de aula. A dor tem sido minha conselheira mais fiel, sempre presente para me lembrar que sou resistente, ou teimoso demais para desistir. À noite, a escrita é meu refúgio e por alguns instantes, as palavras são minhas. Elas não julgam meu fracasso silencioso, nem medem meu valor através dos zeros no contracheque. Então, escrevo. E, por um breve momento, sinto alívio. Porque, no fim, somos todos protagonistas de nossas próprias tragicomédias. Rimos para não chorar, e escrevemos para, talvez, compreender.