Acordei mais uma vez com aquela sensação de cansaço, mas não era físico. O desgaste não vinha do corpo, mas daquela parte invisível que nunca tem férias. Parece que tudo gira ao meu redor num ciclo de tarefas que não têm fim. Acordar, trabalhar, dormir. Esquema diário sem um pingo de cor. Quem vê de fora talvez não entenda, acha que a vida tá nos trilhos, mas por dentro é uma bagunça total. A solidão se instalou sem pedir licença. É companheira constante, mesmo quando estou cercado de gente. É aquela sensação de não se encaixar, de ser peça faltante num quebra-cabeça. Parece que cada escolha levou a este ponto de estagnação interna, onde cada tentativa de mudança só faz girar em falso. Palavras de esperança soam ocas. O passado não ensina lições fáceis; ele marca, e essas marcas lembram que aprender nem sempre é crescer. É como carregar pedras invisíveis, sempre ali, nunca vistas, mas sempre pesadas. Talvez isso seja a tal crise de quem sente demais e compartilha de menos. Um mar revolto dentro de uma caixa. E enquanto isso, a máscara otimista resiste, invisível, disfarçando o caos, mantendo tudo no controle para que ninguém perceba. Porque a última coisa que preciso é lidar com o olhar de pena. Prefiro esse desabafo mudo, entre mim e as paredes. Elas, pelo menos, não julgam.