Às vezes, me pergunto se a sensação de ser levado pela correnteza algum dia vai passar. A pressão para seguir por caminhos que não escolhi, mas que parecem ter sido pavimentados para mim, é silenciosa e constante. Estudo como quem segue um ritual sagrado, mas onde está a promessa de transcendência? Carrego livros que não me preenchem e o vazio ganha contornos cada vez mais nítidos. Olho para o futuro como quem tenta enxergar através de um nevoeiro denso. Existe uma linha tênue entre conhecimento e sabedoria, e me sinto naufragar ao perceber que minha bagagem crescente nada me diz sobre viver. Em algum lugar entre a esperança e a realidade, perco a conexão comigo mesmo. Será que é normal essa distância entre o que sou e o que aparento ser? O cansaço é mais do que físico. É uma exaustão da alma, uma busca incessante por sentido em meio ao caos. Me pergunto se há mais pessoas flutuando nesse mesmo limbo, se minhas dúvidas silenciosas ecoam na consciência de outros. Pode haver consolo em saber que não estou sozinho, mas a solitude permanece uma companheira constante. Escrevo para me libertar, para tentar capturar e analisar esse redemoinho interno. Mas, mesmo nas palavras, as respostas escapam entre os dedos. Na incerteza e na busca, talvez haja um caminho, mesmo que ainda oculto à vista.