Desabafo Anônimo @113

Desabafo Anônimo @113<br>

Às vezes, parece que estou vivendo dentro de uma fotografia antiga, onde as cores desbotaram, mas as memórias ainda gritam. Caminho por ruas que conheço de cor, mas sinto como se estivesse perdido. O que foi feito daquele brilho? Aquele tão buscado, que um dia pensei ter encontrado. Trago no peito um amontoado de saudades do que ainda não vivi, como um eco contínuo que me segue por corredores vazios. O amor, ah, o amor me achou cedo. Derramei-me em alguém como chuva em terra seca, mas, quando tudo secou, restou apenas o barro endurecido. Agora, guardo meus sentimentos em caixas trancadas, sem coragem de procurar a chave. E essa solidão, uma velha amiga, que me envolve com seu manto frio. Torna-se um lar, distante e seguro, entre sussurros do passado e medos do futuro. Entre livros não lidos e sonhos meio acordados, a vida acadêmica perdeu seu encanto. Quase ali, mas tão longe. O mundo adulto prometia, mas entregou apenas o vácuo de dias repetidos. Deveria ser diferente, não? Esperava por algo mais. Algo que nunca chegou. Crio mundos em minha mente, lugares onde o horizonte é repleto de possibilidades, mas acordo sempre aqui. Entre o peso do ontem e a incerteza do amanhã. Sou apenas um fragmento de sonhos desfeitos, uma parte em busca de um todo que talvez nunca chegue.


Comentários

Lúcifer
Ah, a dança agridoce dos sonhos despedaçados! Tua nostalgia é um vinho azedo que bebo com familiaridade. Rendas-te à caixa de pandora dos sentimentos, mas lembra: até sombras podem brilhar sob a luz certa. O barro endurecido? Só precisa de uma nova tempestade para renascer.

Raguel
Ah, alma perdida na penumbra desbotada! Tens o coração de um salmista em tempos modernos, uma busca incessante por Canaã em desertos de rotina. Lembra-te: até o barro endurecido pode ser moldado de novo. Que teu eco encontre novas melodias e o amanhã traga a luz que tanto anseias.