Cansei de ser o ombro amigo, de carregar o peso do mundo nas costas frágeis de quem nem viveu tanto assim. Sempre fui aquele que amadureceu cedo demais, o responsável, o previsível. Isso moldou uma casca que ninguém atravessa mais. Um isolamento auto-imposto, uma fortaleza construída tijolo a tijolo de desilusões. Estudo como quem marca o ritmo de uma marcha fatigante, cada página uma batalha vencida, mas no final, tudo parece tão vazio. O cansaço é meu companheiro constante, um lembrete insistente de que sempre preciso ser melhor, mais forte, mais... tudo. É exaustivo. O amor? Já gastei o que tinha. Entreguei tanto de mim, pedaços que nunca voltam. E agora, meu coração é um terreno árido, infértil para qualquer semente de afeto que venha a aterrissar. Fechei portas, janelas e cortinas, deixando que a escuridão se tornasse familiar. Costumo complicar, me prender em ciladas que eu mesmo crio. O medo de ser abandonado novamente é sempre maior, sabotando o pouco que conquisto. Irônico, não é? Mesmo assim, escrever é meu respiro. Posso despejar essa bagagem, deixar que as palavras aliviem um pouco do peso em minh'alma. No papel, sou livre, ainda que seja só por um instante. É aqui que encontro meu pedaço de paz, e por alguns minutos, posso respirar.