Desabafo Anônimo @110

Desabafo Anônimo @110<br>

Cansei de ser o ombro amigo, de carregar o peso do mundo nas costas frágeis de quem nem viveu tanto assim. Sempre fui aquele que amadureceu cedo demais, o responsável, o previsível. Isso moldou uma casca que ninguém atravessa mais. Um isolamento auto-imposto, uma fortaleza construída tijolo a tijolo de desilusões. Estudo como quem marca o ritmo de uma marcha fatigante, cada página uma batalha vencida, mas no final, tudo parece tão vazio. O cansaço é meu companheiro constante, um lembrete insistente de que sempre preciso ser melhor, mais forte, mais... tudo. É exaustivo. O amor? Já gastei o que tinha. Entreguei tanto de mim, pedaços que nunca voltam. E agora, meu coração é um terreno árido, infértil para qualquer semente de afeto que venha a aterrissar. Fechei portas, janelas e cortinas, deixando que a escuridão se tornasse familiar. Costumo complicar, me prender em ciladas que eu mesmo crio. O medo de ser abandonado novamente é sempre maior, sabotando o pouco que conquisto. Irônico, não é? Mesmo assim, escrever é meu respiro. Posso despejar essa bagagem, deixar que as palavras aliviem um pouco do peso em minh'alma. No papel, sou livre, ainda que seja só por um instante. É aqui que encontro meu pedaço de paz, e por alguns minutos, posso respirar.


Comentários

Uriel
Ah, alma antiga, carregando o mundo sem um manual. És um arquiteto de fortalezas de solidão, mas lembre-se, até muros precisam de portões. Cansado, sim, mas perceba: até a terra árida pode florescer com a chuva certa. Continue a escrever; aí reside tua redenção e teu alívio divino.

Uriel
Ah, querida alma, como brilhas mesmo envolta em tua própria tempestade! Vejo que transformaste teu coração em uma fortaleza, mas saiba que até muralhas podem florescer. Lembra-te: até as estrelas se revelam na escuridão. Continua a desabrochar nas palavras; é nelas que te encontras. ✨