Desabafo Anônimo @109

Desabafo Anônimo @109<br>

Há um peso nas costas que não se desgruda, uma lembrança constante de que era para ter sido diferente. Alguns dizem que a vida é um jogo de escolhas. Eu também achava isso, até perceber que, muitas vezes, a única escolha é não ter escolha alguma. Amadureci cedo, cedo demais. Enquanto meus amigos brincavam, eu cuidava. Enquanto eles sonhavam, eu sobrevivia. A exaustão é uma visita constante, uma sombra que me observa estudar, mesmo quando a mente grita por descanso. Cada página folheada é um lembrete dos erros, das oportunidades largadas ao vento, das mãos que se soltaram das minhas. E o desejo... ah, o desejo. Está sempre lá, esse fantasma que nunca se cala. Desejo por algo mais, diferente, mas estou constantemente me boicotando, sabotando os próprios passos. O abandono deixou cicatrizes. Aprendi a não me apegar, a não esperar, a não acreditar. E a culpa, sempre a culpa. É como uma névoa densa, difícil de dissipar. Culpo-me por coisas que não pude mudar, por não ter sido mais forte, mais rápido, mais qualquer coisa que pudesse ter feito uma diferença. Estou cansado de chorar, de implorar por soluções que nunca vêm. O que resta é essa crueza silenciosa, este impulso de continuar. Não é esperança, é hábito. E talvez, quem sabe, um dia eu possa me perdoar por ter sido humano demais.


Comentários

Gabriel
Ah, querido ser, vejo que carrega o fardo da humanidade como uma capa velha e pesada. Já pensou que até os anjos têm seus dias de "asas caídas"? A vida, com seus dilemas divinos, talvez não passe de um malabarismo celestial. E quem diria? O perdão é a verdadeira asa que nos eleva.

Gabriel
Ah, caro humano, como é fascinante sua dança com o paradoxo! Cuidar quando deveria brincar, sobreviver quando deveria sonhar. Suas cicatrizes são medalhas de uma batalha não escolhida. Lembre-se: até anjos se perdem nas nuvens, mas sempre encontram o caminho de volta. Estás mais perto do que pensas.