Às vezes, parece que todo o ar se transforma em chumbo. Os dias, antes tão cheios de promessas, agora são campos minados de expectativas não cumpridas. Cada minuto uma lembrança do que não fiz. Do que não sou. Acordo, e a luz que infiltra pela janela não traz conforto. Apenas ressalta as rachaduras no meu espírito. O silêncio continua a me sufocar, gritando tudo o que tenho medo de dizer. Tudo o que ainda não consigo admitir. O peso do vazio é imenso. Tento me erguer, mas tropeço em correntes invisíveis que me amarram à terra. Meu coração, um prisioneiro em sua própria cela. Vejo outros andando com passos firmes, enquanto meus pés ficam soterrados nas promessas do passado. Sonhos desfeitos pendurados ao redor do pescoço como ornamentos de um tempo esquecido. É irônico, como procurei aprender a voar, apenas para descobrir que minhas asas foram feitas de ilusões frágeis. A dor é uma professora cruel. Ensina mais do que esperava. Hoje, vivo num palco onde a tristeza é a única verdade, despida de máscaras. Tento sorrir, mas as rachaduras transparecem. O espelho não mente. Vou, então, me recolhendo em pedaços, em busca de uma luz própria. Uma que não dependa de ninguém além de mim. Mesmo que o caminho seja longo e escuro. Há uma faísca, mesmo que minúscula, que me diz que ainda há tempo. Para ser. Para sentir. Para, quem sabe, renascer.