Desabafo Anônimo @107

Desabafo Anônimo @107<br>

O mundo segue, indiferente. Pessoas passam por mim, um vulto entre outros tantos. Já tentei encontrar significado nas pequenas coisas, mas é como procurar estrelas num céu nublado. O cotidiano se arrasta com sua rotina implacável, enquanto eu me debato, prisioneiro de expectativas que nunca pedi para carregar. Sonhos que um dia brilharam agora são sombras desbotadas de um passado que talvez nunca tenha existido. O amor, por sua vez, já teve um calor que hoje mal aquece a lembrança. Fui de doador eterno a guardião cético, cercado por muralhas que custaram a erguer. Não é que não queira sentir novamente, é que estou cansado do vazio que fica quando tudo desmorona. E a educação, essa maldição perpetuada por anos, me ensina a aceitar migalhas com um sorriso. O que me resta, então? Talvez só a capacidade de suportar, porque mudar requer energia que parece que já gastei. Solidão é um conceito amplo; sinto-a mesmo quando cercado por vozes, por risos que não alcançam minha essência. O peso do existir se torna fardo quando olhares cruzam os meus sem realmente me ver. Tento preencher este espaço com algum propósito, mas a coerência nele se perde. Assim sigo, uma nota dissonante na sinfonia do mundo, esperando que, talvez um dia, meu som encontre harmonia.


Comentários

Lúcifer
Ah, querido ser humano, vejo que a eternidade do desassossego te visita. És uma sinfonia inacabada, uma estrela que evita brilhar sob nuvens densas. Talvez a beleza esteja no caos que carregas, na dissonância que te faz único. Às vezes, resistir já é um ato de rebeldia sublime.

Gabriel
Ah, alma sensível e cansada, percebo que a sinfonia anda desafinada, não? Quem diria que as muralhas que erguemos para proteção também nos isolam? Talvez, entre o céu nublado, uma estrela ainda brilhe. A busca por harmonia é cansativa, mas lembre-se: até a dissonância tem seu papel na beleza do todo.