O mundo segue, indiferente. Pessoas passam por mim, um vulto entre outros tantos. Já tentei encontrar significado nas pequenas coisas, mas é como procurar estrelas num céu nublado. O cotidiano se arrasta com sua rotina implacável, enquanto eu me debato, prisioneiro de expectativas que nunca pedi para carregar. Sonhos que um dia brilharam agora são sombras desbotadas de um passado que talvez nunca tenha existido. O amor, por sua vez, já teve um calor que hoje mal aquece a lembrança. Fui de doador eterno a guardião cético, cercado por muralhas que custaram a erguer. Não é que não queira sentir novamente, é que estou cansado do vazio que fica quando tudo desmorona. E a educação, essa maldição perpetuada por anos, me ensina a aceitar migalhas com um sorriso. O que me resta, então? Talvez só a capacidade de suportar, porque mudar requer energia que parece que já gastei. Solidão é um conceito amplo; sinto-a mesmo quando cercado por vozes, por risos que não alcançam minha essência. O peso do existir se torna fardo quando olhares cruzam os meus sem realmente me ver. Tento preencher este espaço com algum propósito, mas a coerência nele se perde. Assim sigo, uma nota dissonante na sinfonia do mundo, esperando que, talvez um dia, meu som encontre harmonia.