Acordo com o peso do mundo nos ombros, um peso que não pedi para carregar. Tem dias que a luz do sol parece zombar da sombra que se esconde na minha mente. Eu, que um dia pensei ter todas as respostas, agora sou um estranho para mim mesmo, como se carregasse um mapa mal desenhado de um lugar que nunca existiu. O relógio bate e as oportunidades continuam a passar. A ironia é que dedicamos anos a salas de aula e a regras que nos prometeram um amanhã melhor. Hoje, aquele “amanhã” é apenas um fantasma que me lembra de todas as promessas não cumpridas. Há uma empresa aí, a "Fábrica de Sonhos", que brilha como ouro, mas entrega areia para os desavisados. Quantas vezes caí na ilusão? Agora, guardo nos bolsos o vazio e um punhado de esperanças rasuradas. É um jogo cruel, esse de fingir saber o caminho. Olho no espelho e vejo as linhas no rosto que contam histórias que eu preferia esquecer. Palavras não ditas, sentimentos sufocados. Ah, as escolhas que fizemos por medo, por culpa, por uma lealdade mal colocada. Se ao menos houvesse uma maneira de limpar as marcas do tempo, de recomeçar sem o fardo da decepção. Talvez, só talvez, um dia tudo faça sentido. Até lá, sigo escrevendo, na esperança de encontrar alguma verdade entre as palavras desgastadas.