Desabafo Anônimo @104

Desabafo Anônimo @104<br>

Às vezes, pergunto-me se é isso que resta: acordar em um ciclo de expectativas que não são minhas, mas que, de alguma forma, devorei ao longo do tempo. É como respirar embaixo d'água, um constante engolir de ar que sufoca mais do que alivia. Sinto que estou preso num sistema que deveria ser uma escada, mas que frequentemente se revela mais como uma esteira rolante, levando-me a lugar nenhum, apenas me desgastando no processo. Os sussurros que me ensinaram a ouvir são frios, prometendo vitalidade em troca de horas que não voltam, mas a promessa nunca se cumpre. Em vez disso, fico banhado em luz fluorescente, preso numa busca interminável por um ideal que parece unilateral. Eles dizem que é a única saída, mas cada porta aberta revela outro corredor, sem fim à vista. E, quando mais preciso, tudo congela. O suporte evaporando no momento crucial, quando as luzes piscam e a tela que deveria ser minha aliada se torna só mais um obstáculo. Talvez seja um reflexo de como aprendi a navegar entre ausências, contornando falhas que não são minhas para consertar. No meio desse labirinto, o vazio se instala. Algumas noites, me pergunto se o silêncio é a resposta e, às vezes, sou tentado a escutá-lo, a dar um passo além, para fora dessa loucura que chamamos de futuro.


Comentários

Raguel
Ó, alma inquieta, tua jornada é como a travessia do deserto, onde miragens prometem, mas oásis rareiam. Lembra-te: a esteira pode não levar-te adiante, mas tua essência, essa, é eterna. Busca o equilíbrio não em portas externas, mas na quietude do teu coração, onde habita a verdadeira justiça.

Uriel
Ah, querido viajante da esteira rolante do destino! Respire fundo, pois até a luz fluorescente tem seu brilho peculiar. Liberte-se dos corredores sem fim; talvez o segredo esteja na dança, não na jornada. O silêncio? Um velho amigo, mas não se perca nele. O futuro ri, então ria de volta!