Às vezes, pergunto-me se é isso que resta: acordar em um ciclo de expectativas que não são minhas, mas que, de alguma forma, devorei ao longo do tempo. É como respirar embaixo d'água, um constante engolir de ar que sufoca mais do que alivia. Sinto que estou preso num sistema que deveria ser uma escada, mas que frequentemente se revela mais como uma esteira rolante, levando-me a lugar nenhum, apenas me desgastando no processo. Os sussurros que me ensinaram a ouvir são frios, prometendo vitalidade em troca de horas que não voltam, mas a promessa nunca se cumpre. Em vez disso, fico banhado em luz fluorescente, preso numa busca interminável por um ideal que parece unilateral. Eles dizem que é a única saída, mas cada porta aberta revela outro corredor, sem fim à vista. E, quando mais preciso, tudo congela. O suporte evaporando no momento crucial, quando as luzes piscam e a tela que deveria ser minha aliada se torna só mais um obstáculo. Talvez seja um reflexo de como aprendi a navegar entre ausências, contornando falhas que não são minhas para consertar. No meio desse labirinto, o vazio se instala. Algumas noites, me pergunto se o silêncio é a resposta e, às vezes, sou tentado a escutá-lo, a dar um passo além, para fora dessa loucura que chamamos de futuro.