As palavras escorrem como tinta numa página esquecida, um desabafo sussurrado ao vento. Há um peso constante, como se eu fosse uma ponte entre dois mundos, mas nunca pisasse firmemente em nenhum deles. A transição é uma sombra que paira, sempre um passo à frente, mas nunca ao alcance. A instabilidade é familiar, como um amigo ingrato que me visita ao anoitecer. A realidade do dia a dia se entrelaça, tentando achar sentido entre tarefas e sonhos. Cada projeto é uma moeda lançada ao ar, esperando que o resultado não seja mais uma incerteza. Os sentimentos, esses passageiros clandestinos, escondem-se nas dobras da mente, temendo a luz do dia. A inteligência, essa lâmina de dois gumes, corta o nevoeiro, mas também aprofunda as dúvidas. As noites se estendem, longas, refletindo a exaustão que nunca repousa. No entanto, há uma beleza secreta, uma promessa sutil de que escrevendo, algo pode se alinhar. As palavras não exigem máscaras; elas são um conforto terreno. Elas não julgam, apenas acolhem, transformando o caos interno em silêncio ordenado. E assim, continuo. Escrevendo em fragmentos. Desnudando a alma em sílabas e espaços. Sentindo, talvez por um breve momento, um alívio — como se finalmente respirasse após tempos submerso.